Em resumo
Montes Claros, cidade mineira de 437 mil habitantes a 422 km de Belo Horizonte, celebra há mais de 180 anos as Festas de Agosto — reconhecidas como Patrimônio Imaterial — e abriga o Parque Estadual da Lapa Grande com 89 cavernas catalogadas a 6 km do centro.
Três pontos principais
- As Festas de Agosto, que em 2025 chegaram à 184ª edição e atraíram mais de 35 mil pessoas, reúnem catopês, marujos e caboclinhos em celebração reconhecida como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais desde 1839.
- O Parque Estadual da Lapa Grande protege 15.360 hectares com aproximadamente 89 cavernas catalogadas, incluindo a Gruta da Lapa Grande de 2,2 km de extensão habitada por bagres despigmentados.
- O arroz com pequi é o prato-símbolo da cidade, que sedia a Festa Nacional do Pequi e oferece gastronomia sertaneja com carne de sol, galinha caipira e arroz com suã.
A resposta direta
Montes Claros celebra há mais de 180 anos as Festas de Agosto, reconhecidas como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, e abriga 89 cavernas catalogadas no Parque Estadual da Lapa Grande, localizado a apenas 6 km do centro urbano.
Montes Claros reúne uma celebração centenária reconhecida como Patrimônio Imaterial e um parque estadual com quase 90 cavernas catalogadas — tudo isso a 422 km de Belo Horizonte.
É agosto. Na Praça da Matriz, o som dos tambores anuncia a chegada dos catopês, enquanto crianças vestidas de reis e rainhas infantes percorrem as ruas do centro. Algumas quadras adiante, o cheiro de arroz com pequi sai das quitandas. A poucos quilômetros dali, dentro de uma gruta de 2,2 km de extensão, bagres despigmentados nadam em águas que nunca viram a luz do dia. Essa combinação — festa popular, gastronomia sertaneja e paisagens subterrâneas — define Montes Claros, cidade de 437 mil habitantes que virou polo do Norte mineiro sem abandonar suas raízes.
Por que chamam Montes Claros de Princesa do Norte?
A ocupação começou em abril de 1707, quando o alferes Antônio Gonçalves Figueira — integrante da bandeira de Fernão Dias Pais — recebeu uma sesmaria e fundou a Fazenda Montes Claros. O nome vinha dos montes de xistos calcários com pouca vegetação que se viam nas proximidades. A propriedade cresceu como entreposto de gado e centro de abastecimento das tropas que cruzavam o sertão.
Um dos povoados que surgiram ali foi o arraial de Formigas, elevado a vila em 13 de outubro de 1831 com o nome oficial de Vila de Montes Claros de Formigas. A cidade foi reconhecida em 3 de julho de 1857. Décadas depois, em 1º de julho de 1926, a ferrovia chegou e ampliou as conexões do Norte mineiro com outras regiões.
A partir dos anos 1970, incentivos fiscais da SUDENE estimularam a instalação de indústrias farmacêuticas, alimentícias e de bebidas — a expansão consolidou o título de Princesa do Norte.
Hoje, Montes Claros exerce influência sobre dezenas de municípios vizinhos e funciona como referência econômica e cultural para toda a região.
O que torna as Festas de Agosto tão especiais?
Tambores, cortejos, devoção religiosa e personagens históricos: tudo isso se repete desde 1839, segundo o historiador Hermes de Paula. Em 2025, os festejos chegaram à 184ª edição e atraíram mais de 35 mil pessoas à Praça da Matriz ao longo de cinco dias. Reconhecidos como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais, os festejos também estão na mira de um registro nacional: em 2023, a prefeitura criou uma comissão para buscar o título junto ao IPHAN.
Três grupos carregam a celebração. Os catopês, com tambores e cortejos dedicados a Nossa Senhora do Rosário, representam a herança africana. Os marujos encenam navegadores europeus em homenagem ao Divino Espírito Santo. Já os caboclinhos, vestidos de vermelho e enfeitados com penas, fazem referência aos povos indígenas e celebram São Benedito.
Uma particularidade chama a atenção: os catopês de Montes Claros preservam a presença de reis e rainhas infantes, característica rara entre os congados mineiros.
Onde ficam as 89 cavernas que poucos conhecem?
A apenas 6 km do centro urbano, o Parque Estadual da Lapa Grande protege 15.360 hectares de Cerrado e Caatinga. Criado pelo Decreto Estadual nº 44.204 em 10 de janeiro de 2006 — e ampliado em 2014 —, o parque reúne aproximadamente 89 cavernas catalogadas, segundo a Agência Minas. A administração fica a cargo do Instituto Estadual de Florestas.
O grande destaque subterrâneo é a Gruta da Lapa Grande, com cerca de 2,2 quilômetros de extensão. Lá dentro, estalactites e estalagmites dividem espaço com um rio habitado por bagres despigmentados. A água que corre na unidade tem peso estratégico: o rio Lapa Grande nasce ali e responde por cerca de 50% do abastecimento de Montes Claros.
Além das formações calcárias, o parque abriga sítios arqueológicos com pinturas rupestres, o centenário Casarão das Quebradas e paredões que ultrapassam mil metros de altitude, onde crescem cactos e bromélias endêmicas.
Que lugares merecem entrar no roteiro pela cidade?
Entre cavernas, praças e construções históricas, Montes Claros oferece atrações que ficam, na maioria, a menos de 15 minutos do centro.
- Parque Estadual da Lapa Grande: 15.360 hectares de Cerrado e Caatinga, 89 cavernas, sítios arqueológicos e trilhas sob administração do IEF
- Parque Municipal Milton Prates: lagoa com pedalinhos, caminhos entre árvores nativas e espaços para piqueniques, a 6 km do centro
- Parque da Sapucaia: trilhas para caminhada e mirante com vista panorâmica da cidade, ideal no fim da tarde
- Catedral de Nossa Senhora Aparecida: arquitetura neogótica no coração do centro histórico
- Mercado Municipal Christo Raeff: bancas de produtos regionais, restaurantes de comida sertaneja e artesanato típico do Norte mineiro
- Centro Cultural Hermes de Paula: acervo do historiador que documentou as Festas de Agosto e a formação do sertão
O que se come no sertão mineiro?
A cozinha de Montes Claros mistura o sertão e o Cerrado em pratos fartos. O pequi, fruto símbolo do bioma, ganha até uma festa nacional anual e aparece em quase todas as mesas tradicionais.
Arroz com pequi é o prato-símbolo da cidade, que sedia a Festa Nacional do Pequi. O fruto é cozido inteiro com arroz e temperos regionais. Carne de sol com mandioca traz a herança do sertão, servida com mandioca cozida ou frita e queijo coalho. Galinha caipira com angu é tradição de domingo, cozida no próprio molho e acompanhada de angu de milho amarelo.
Outros clássicos incluem o arroz com suã — costela da espinha do porco cozida com arroz — e os doces caseiros das quitandas mineiras: doce de leite, compotas, goiabada cascão e biscoitos de polvilho.
Qual a melhor época para visitar?
Montes Claros tem clima tropical de savana, com verão chuvoso e inverno seco. As temperaturas altas são constantes por causa da latitude e do relevo. A estação seca é longa, característica típica do Sertão Mineiro.
Se você quer vivenciar as Festas de Agosto, programe-se para o mês que dá nome à celebração. Se prefere explorar as cavernas e trilhas com menos gente, os meses de seca — de maio a setembro — oferecem condições mais estáveis.
Como chegar à Princesa do Norte?
De Belo Horizonte, são 422 km pela BR-135 e BR-040, cerca de seis horas de carro. O Aeroporto Regional Mário Ribeiro opera voos diários para São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Salvador. Ônibus interestaduais partem regularmente da capital mineira e de outras capitais nordestinas.
Montes Claros fica na rota de quem viaja pela BR-135 rumo à Bahia — posição estratégica que ajudou a consolidar a cidade como passagem quase obrigatória no caminho pelo Norte mineiro.
Você precisa conhecer Montes Claros em pleno mês de agosto, ver os catopês percorrerem as ruas do centro e depois provar o arroz com pequi para entender por que a Princesa do Norte virou parada obrigatória de quem descobre o interior de Minas Gerais.

